Prólogo.
Atenção: Esse é o prólogo não-oficial e muitíssimo mal-escrito de uma história cuja idéia surgiu absolutamente do nada, e será desenvolvida melhor com o passar do tempo e o clarear da mente.
24 de Dezembro de 2019. 23:30.Praga, República Tcheca.
Eles costumam dizer que Praga é a cidade dos amantes. Devia ser, antes da grande guerra. Agora é só mais um reduto para prostitutas, assasinos, corruptos e ratos – sejam os transmissores da raiva ou da ganância, todos encontram-se misturados na mesma fétida poça de água suja cujo planeta inteiro transformou-se. A mulher não era uma prostituta, apesar de ter a flexibilidade e o linguajar sujo de uma. Sua pele, alva como os lençóis da cama (antes destes se transformarem em vermelho sangue), ainda exibia as marcas dos meus dedos. Seus olhos, antes tão vivos e quentes, não exibiam mais brilho nenhum. Qualquer suspiro de vida que já havia percorrido seus olhos verdes estava em qualquer outro lugar… Menos ali. As duas órbitas estavam arregaladas, e as íris fitavam, descompromissadamente, uma maleta preta posicionada em cima da cômoda. Um blues imensamente desafinado tocava, ao fundo, não tão longe. Era a única testemunha das cenas que haviam acontecido há pouco. Cenas que encantariam um roteirista pornô e assustariam um escritor de terror. O engraçado é que sua boca continuava aberta, como se ainda pudesse gritar. Como se gritar fosse ajudar. Misturada aos lamentos da triste guitarra, um barulho seco da sirene de uma viatura policial ficava cada vez mais alto. Policial. Palavra engraçada para uma organização que havia tornado-se mais suja do que aqueles que ela deveria perseguir e punir em primeiro lugar.
Num grande espelho localizado no banheiro, deslizo a mão pelos cabelos – um dos gestos que me dizem ser igual ao dele -, subo o zíper da jaqueta velha e surrada de couro e tiro, com o indicador, um filete de sangue que escorria pela minha boca. A marca dos dentes dela, porém, não sairia tão fácil. As golas da jaqueta se levantam quase que sozinhas, tamanho o costume de usá-las deste modo. Os pés, cobertos apenas pelo coturno velho, movem-se quase que sozinhos na direção da janela, enquanto a guitarra cessa e o único barulho transforma-se no subir das escadas velhas pelos policiais. Pelas passadas, eram três. Um sorriso cínico escapa pelo canto de meus lábios enquanto passo pela janela e deixo que minhas pernas sejam as únicas partes de meu corpo presas ao lado de dentro do apartamento.
Os policiais entram, arrebentando a porta de madeira. A preferência dos pervertidos foi primeiro olhar para os peitos, para depois notar a marca da .45 na testa, entre os olhos. Enquanto o primeiro policial se aproxima do corpo, o segundo aponta a pistola automática na direção do meu rosto. A mão treme, assim que ele olha para meu rosto. A semelhança era, de fato, assustadora. Tentando se recompor, ele puxa o mecanismo que desativa a trava de segurança da arma.
- Nem pense em se mover. – Sussurra ele. Os dentes amarelos só não causam mais asco do que a pseudo-ereção do primeiro policial, enquanto examinava o corpo da morena.
- Feliz Natal. – O sussurro, diferente do dele, não carrega receio, arrependimentos ou qualquer outro sentimento relacionado ao passado. É isso que acontece quando você não tem nada a perder.
- Realmente, será um belo presente de Natal prender justamente você – bradou o terceiro policial -. Eles estão querendo sua cabeça em uma bandeja.
- Só não encosta na maleta.
Antes da frase sequer chegar ao final, o terceiro policial segura a alça da mala revestida, para abrí-la e examiná-la. Ele ativa o mecanismo automático de explosão da maleta. De fato, não preciso me mover: A força da explosão, antes de destruir o quarto inteiro e deixar apenas pedaços para serem examinados, me joga para longe da janela. Enquanto caio, crio mais uma nota mental: Agradecer a Deus, se houver um, pela existência de um hotel exatamente atrás do rio Vltava.
Quando conseguissem juntar o resto dos 4 corpos destruídos naquela madrugada fria, na véspera do Natal, eu já estaria chegando à Paris: Meu próximo insólito destino.
